quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Solidariedade a Metro


 


Solidariedade a Metro

Enquanto a água ainda escorre pelas paredes e a lama cobre o que restou, há quem já tenha a calculadora na mão.

Vizinhos de uma vida inteira transformam-se em prestadores de serviços premium. "Ajudar-te a limpar a cave? São 50 euros a hora, mais IVA." A bomba de água que estava encostada na garagem de repente tem tarifa de emergência. A carrinha que emprestavam por um favor agora cobra por quilómetro.

E depois há os outros — os verdadeiros artistas da oportunidade. Enquanto fingem solidariedade, medem com o olho o que a enchente arrastou mas ainda tem valor. Misturam-se com os bombeiros, passando-se por eles, e roubam. Roubam eletrodomésticos, móveis recuperáveis, aquelas ferramentas que ficaram no alpendre. Tudo desaparece antes do dono ter tempo de secar as mãos e fazer contas ao prejuízo.

A tempestade Christine passou. Mas há parasitas que ficam — não para estender a mão, mas para a enfiar no bolso alheio.

Há desgraças que revelam o melhor das pessoas. E há pessoas que transformam qualquer desgraça no seu melhor negócio.

Sem comentários: