terça-feira, 28 de julho de 2026

Portugal não vai construir um Parque Disney. Acho eu.

 Portugal não vai construir um Parque Disney. Acho eu.

Nem deve precisar, digo eu (aqui não estou lá muito convencido)

O que temos , e que nenhum parque temático alguma vez vai conseguir replicar,  é uma cultura que se vive, não se visita. 

Uma aldeia do Alentejo ao fim da tarde, o cheiro a pão e a lenha. 

Uma tasca em Lisboa onde o dono ainda se lembra do nome de quem entrou há três anos. 

O fado que sai de uma janela sem avisar. 


Isto não tem fila de espera, não tem bilhete e não se esquece. A Disney vende magia fabricada; nós temos a magia que construímos e que ficou.


Casa de Xisto


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Sóis

Por do sol em Monte Gordo

 

Sóis

"Não te percas no futuro nem no passado. O presente é o único momento em que podes agir." — Marco Aurélio

Há uma coisa que o sol não faz: esperar por nós.

Nasce. Põe-se. Volta. Com uma regularidade que nos ajuda. Dependendo do dia, pode parecer indiferente ou pode parecer promessa.

Este foi um dos últimos que estive no Algarve com o meu pai vivo. Muito ele gostava de estar lá.

Eu sempre entendi o por do sol como promessa, apesar de ele poder parecer indiferente.

Mas tenho uma certeza: a luz está lá. Sem cerimónia. Sem me perguntar se eu estava pronto. Naturalmente estava, estou e para continuar.

Não procuro motivação nos livros de auto-ajuda. Todos, desculpem o exagero, dizem-nos "levanta-te e vai em frente".

Mas acredito na evidência de que o mundo não pára (a minha primeira assinatura de blogueiro) e de que há sempre algo prometedor. Não precisas de estar pronto. O sol nasce na mesma.

Empreender, e eu sou um pouco , tem muito desta lógica.

Há dias que começam com nascer do sol: aqueles em que uma ideia encaixa, uma porta se abre ou alguém diz sim quando estavas à espera do não. E há dias que chegam já em modo de por do sol. O dia foi cansativo, mas bonito à sua maneira, e a acabar. E, com muita certeza, enriquecedor

A questão nunca é qual dos dois sóis apanhas. Qual vai estar ali para ti. A questão é o que fazes com a luz que tens.

O meu pai era daqueles que fazia. Que ajudava os outros a fazer, a serem melhores, não fosse ele professor. Um dos muitos tributos que lhe posso prestar é ter sempre vontade de querer fazer coisas. É não ter medo de começar outra vez, mesmo quando o dia já vai a meio e parece escuro. É também conseguir ter um olhar positivo sobre o que aí vem.

O sol dá trabalho. Aquece, mas também exige. Ilumina, mas também expõe. Abre oportunidades, mas não as persegue por nós. E que bom que é assim.

Porque a alternativa, um mundo sem esse atrito, servido numa bandeja, sem esse esforço, sem esse sol que insiste , seria demasiado confortável para produzir alguma coisa que valha a pena.

Então continuo. A querer fazer perguntas, mesmo que sejam mudas (coisas do meu feitio) mais do que a dar respostas. Com a consciência de que nem todos os sóis que apanho são de nascer.

Mas vem sempre um. E é suficiente.

Talking Heads - This Must Be the Place. Uma das minhas bandas de sempre

Foto do Monte Gordo, publicada a 1 de Janeiro de 2014. Escrever e blogar há mais de 20 anos dá-me conteúdos para reescrever e memórias para recuperar. Hoje, no meu blog, era dos post mais vistos

Também uma conversa de trabalho hoje, em que fui um dos vértices, mesmo achatado, deixou- me tranquilamente entusiasmado.

domingo, 19 de julho de 2026

Amélia Earhart - A primeira influencer

 Amelia #Earhart fez tudo o que um influencer de hoje faz: marca pessoal, presença mediática, parcerias comerciais, linha de roupa, palestras...mas sem internet.

Mas há outra diferença fundamental:
Ela construiu a influência como consequência. Hoje constrói-se a influência como objectivo.

O que não mudou nestes 100 anos: a necessidade humana de se identificar com alguém que parece ir mais longe do que nós.
Ela era, simultaneamente, o produto e a mensagem.
Hoje não é bem assim.




domingo, 21 de junho de 2026

O que tenho andado a pensar


O que tenho andado a pensar - um retrato descontraído, espero que honesto, dos meus temas recorrentes

“Um homem com metas claras faz o seu caminho mesmo no deserto. Um homem sem metas perde-se mesmo numa estrada aberta." Gengis Khan

Comecei esta aventura de escrever num jornal de Beja, o Expresso do Sul. Foi entre 2007 e 2008. Durou uns bons meses. Já antes fazia uns escritos num blogue que já não consigo recuperar. Deve ter sido por 2006.

Estes quase 20 anos de blogue trouxeram-me mais conhecimento, alguns amigos, vontade de ir aprendendo e, com alguma modéstia, de ir passando conhecimento.

Quase 20 anos é muito tempo. É mais do que a maioria das empresas dura. É mais do que a maioria das resoluções de ano novo dura. É, acima de tudo, uma disciplina, que não tenho para muitas coisas, disfarçada de hobby.

Uso nestas prosas imagens, músicas e citações. Elas, espero, reflectem o que escrevo, o que gosto e, em alguns casos, colocam humor e fantasia que não nos deve abandonar.

Inteligência Artificial — com calma, mas a sério

A IA não é gadget para nerds. É uma função estrutural do negócio — como as vendas ou a contabilidade. Mas há uma diferença entre o artesão e o algoritmo: o primeiro tem alma, o segundo tem escala. A questão não é escolher um deles; é saber quando usar cada um. E sim, o teste de Turing no marketing já começou. Uma nota: estou longe de ser um expert.

Vendas, Propósito e o Cliente no Centro

Vender não é intrujice, é servir. O cliente deve estar sempre no centro, não o produto, não a comissão, não o ego. O new business é uma aventura com muitos nãos antes do sim. Em tempos difíceis, vender em contraciclo exige foco, criatividade e a coragem de não repetir o que não funciona. Tempos difíceis, mas não impossíveis.


Pessoas, Cultura e o Vírus Silencioso

Cultivar pessoas é o investimento com o retorno mais longo . A cultura organizacional não é o que está nos valores pendurados na parede: é o que acontece quando ninguém está a ver. O vírus silencioso que destrói empresas por dentro chama-se falta de coerência. O remédio chama-se liderança com exemplo.


Estratégia — Não Confundir com «Continuar»

Muitas empresas funcionam como aspiradores-robô: andam, batem na parede, giram 45 graus e repetem. Movimento não é estratégia. Observar para decidir é mais valioso do que decidir para parecer ocupado. As escolhas certas exigem foco e saber distinguir o essencial do ruído.


Ideias, Criatividade e a Virtude da Escassez

As boas ideias chegam em bruto , precisam de iteração, não de perfeição. A escassez, ao contrário do que parece, aguça o engenho. Fazer omeletes sem ovos é possível. Basta ter fome suficiente para encontrar uma alternativa. A curiosidade é o motor. O blogue é a escola invisível onde tudo se aprende a escrever.


Reputação, Confiança e o Papel do Consultor

A reputação constrói-se devagar e destrói-se depressa. A confiança é o activo mais valioso de qualquer marca ou profissional. As empresas contratam consultores quando estão no buraco e precisam de alguém que já viu aquele buraco antes. A experiência acumulada (o tal ageísmo) é uma vantagem competitiva, não um handicap.


Este é o meu blog » João Paulo Marques / Joni / Joni Carioca / João da Vespa ..e há mais alguns! Onde partilho uma boa parte dos meus escritos

Quase posso dizer que ando por aqui: Consultor · Advisor · Vendas · Marketing · Inovação · Start-ups

O logo foi desenvolvido pelo meu querido amigo, Francisco Pacheco (que não anda pelo LinkedIN)

What is Life - George Harrison. Ele nunca precisou de gritar para ser ouvido. Escrevia quieto e dizia muito. Parece-me que não é má política para um consultor... e muito menos para a vida.