segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Ceteris Paribus — uma ideia do passado num mundo que não para

 
Ceteris paribus, por Tarsila do Amaral

Ceteris Paribus — uma ideia do passado num mundo que não para

"O universo não nos pede opinião para mudar. A vida é o que fazemos daquilo que muda." Anónimo literário

Estava numa palestra do Investor Talk. O orador era o João Pedro Cortinhas, que não conhecia. Falava de vendas, IA, essas coisas que eu gosto e onde habito
A dada altura sai-se com um clássico: ceteris paribus. Puxa, entrei logo mentalmente nas aulas de faculdade e fiz a ponte para os dias de hoje. Fiquei confuso.
Ceteris paribus significa "tudo o resto igual". Vem da economia clássica. Os economistas usam-na quando querem analisar o efeito de uma variável sem que as outras interfiram (coisa de matemático). Na prática, na verdade, nada fica constante. Era uma ficção útil para pensar. Hoje só pode ser ficção científica.
A IA e o mundo onde estamos faz exactamente o oposto: muda tudo ao mesmo tempo, a alta velocidade e sem modos....à bruta
Quando tentas isolar uma variável, ela já mudou. O modelo actualizou-se, a ferramenta evoluiu, o concorrente adoptou algo novo, o comportamento do consumidor deslocou-se…o Cliente foi-se.
É como tentar fotografar o João Baião nos anos 90 num qualquer programa da RTP. Quando carregavas no botão, ele já não estava na mira
No passado o conceito fazia sentido porque os mercados mudavam devagar. Hoje a velocidade é exponencial.
A pergunta que substitui o ceteris paribus talvez seja: "o que é que não muda?"
Procurar os invariantes humanos, as constantes do comportamento, aquilo que a tecnologia não consegue alterar.
A ideia é esta: se tudo muda constantemente, a única vantagem competitiva durável está naquilo que não muda. E o que não muda é o cérebro humano.
A tecnologia evolui a cada seis meses, e estou a ser benévolo. As plataformas mudam as regras. Os algoritmos actualizam-se. As ferramentas de IA de hoje são obsoletas amanhã. Ninguém consegue acompanhar tudo, e quem diz que consegue está a mentir, ou a vender um curso ou diz que é consultor.
Mas o Cliente que tens à frente continua a tomar decisões com medo de perder mais do que desejo de ganhar. Continua a confiar em quem conhece antes de confiar em quem é bom. Continua a comprar com a emoção e a justificar com a razão. Continua a precisar de sentir que foi ele a decidir.
A nova equação magna não é ceteris paribus. É o oposto: tudo muda, excepto o que é humano. Nós (aqui estou a ser optimista), mas há que o ser
E quem domina o que é humano tem uma vantagem que nenhum modelo de IA consegue comprar.
Continua na Parte 2, onde falo de follow up e networking. Duas práticas antigas, que eu tento praticar e mostram-se mais relevantes do que nunca.
The Who - Won't Get Fooled Again , uma das maiores bandas de sempre

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Arte - A gente não lê

A gente não lê - Alfredo Luz




 Van Gogh vendeu um quadro em vida.

Um. Em 37 anos de trabalho, miséria e obsessão.
O valor da arte nunca foi sobre quantidade
É sobre aquilo que nos faz sentir algo. Sobre a história por trás. Sobre o humano que está dentro...e o humano que o compra o vê

Eu fico bem contente com a minha serigrafia de Alfredo Luz



Taxman

 



Taxman" dos Beatles tem 60 anos e continua completamente actual. George Harrison escreveu-a em 1966 com uma raiva muito legítima: o fisco britânico ficava com 95% dos rendimentos dos contribuintes no escalão mais alto. Noventa e cinco por cento.

Taxman foi uma das primeiras grandes declarações culturais contra a pressão fiscal. E funcionou! Toda a gente se identificava, não só os ricos. O tema é universal e atemporal. Trabalhas, produzes e depois eles levam tudo.

The Beatles - Taxman » https://lnkd.in/eHNtDN7b

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A queda dos #influencers (aleluia)

 A queda dos #influencers (aleluia)


Agora a maré parece estar a virar (título feito no verão).

Quando as pessoas percebem que "autenticidade" era apenas uma estratégia de conteúdo bem calibrada, muitas vezes com informação falsa, começam a procurar outras coisas. Procuram contexto. Procuram factos.
E, sobretudo, alguém que possa ser responsabilizado pelo que diz.

Responsabilidade chama-se jornalismo.
Parece ser nostalgia, mas não é. É uma oportunidade real para quem souber aproveitá-la.
Menos lifestyle, mais substância.
Menos palhaçada, mais rigor.

A janela está a abrir. A questão é se a imprensa séria tem velocidade e coragem para entrar por ela.



terça-feira, 18 de agosto de 2026

Cansei-me das danças do TikTok. Quero pensar.

 Cansei-me das danças do TikTok. Quero pensar.

A Geração Z parece estar farta de conteúdo descartável.
A futilidade cansa. Quando cansa, mudamos. Procuramos substância.
No fim do dia todos queremos a mesma coisa: sair de uma conversa, de um artigo ou de um vídeo a sentir que ficámos um bocadinho maiores e melhores do que quando entrámos.



segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Desnortes I & II

                                          

Desnortes por Tarsila do Amaral

                                   


                                     "Para quem ignora que porto procura, nenhum vento lhe é próprio." Séneca

 Estava em 2008 e publiquei este texto no meu blog. Trabalhava numa gráfica, simultaneamente estava à  procurar um novo desafio

Desnortes (prosa de 2008)

A terra do desnorte.

Parece-me ser um pouco do que passa  neste nosso país. Vejo isso todos os dias, em clientes, em reuniões, em conversas que começam cheias de energia e acabam sem decisão nenhuma.

Lembro-me de um pequeno diálogo da Alice no País das Maravilhas:

  • Alice: Pode dizer-me, por favor, que caminho devo apanhar?
  • Gato: Depende de para onde quer ir.
  • Alice: Não me importa muito para onde…
  • Gato: Então não importa o caminho que escolha.

Parece que é assim que “desandamos”. Mas o pior é que alguns nem caminho querem já. Nem para si, nem que alguém lhes escolha um.

 

Desnortes com IA (versão de 2026)

A terra do desnorte tem já internet de alta velocidade.

Vejo isso todos os dias. Empresas e empresários falam da IA como se fosse uma varinha mágica, sem saber bem o que querem fazer com ela.

Pessoas que experimentam o ChatGPT uma vez, ficam impressionadas, e ficam por aí.

Gestores que pedem relatórios sobre "como implementar IA na empresa" sem terem ainda decidido o que a empresa quer ser.

Lembro-me sempre daquele diálogo entre a Alice e o Gato (que reproduzo acima).

O Gato tinha razão, claro. Se não sabes para onde queres ir, qualquer ferramenta te serve. E nenhuma te chega.

O problema com a IA já não é a tecnologia. A tecnologia já cá está cá e funciona. Já faz coisas que há dois anos pareciam ficção científica. O problema é que a maioria das pessoas e das organizações ainda está na fase da Alice: não importa muito para onde. Querem "fazer qualquer coisa com IA" sem saberem porquê, para quem, nem com que resultado.

E então andam. Experimentam ferramentas. Vão a webinars. Subscrevem newsletters. Assistem a demos. Aplaudem.

E ficam no mesmo sítio.

A IA não resolve o desnorte. Acelera-o.



Road to Nowhere" dos Talking Heads - A letra fala da viagem da vida. O "caminho para lado nenhum" não é necessariamente pessimista. Pelo contrário, Byrne parece sugerir que ninguém sabe exactamente para onde vai. A vida é incerta, e talvez o importante seja aceitar essa incerteza e continuar a caminhar.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Um cesto de verga é um cesto de verga. Até deixar de ser.

 

Monica Guilera - Cestos

Um cesto de verga é um cesto de verga. Até deixar de ser.

O turista que paga mais quer ver o que não existe em sua casa.
Não vem a #Portugal para ver um centro comercial. Vem pela procissão, pela feira de artesanato, pela mulher que ainda faz cestos como se fazia há duzentos anos, ...ou podendo ser este cesto ou outra qualquer obra com as tendências do presente.
#cestos
#monicaguilera