segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O tal rapaz do Benfica

O tal rapaz do Benfica

O tal rapaz do Benfica

Gianluca Prestianni, 20 anos, argentino, jogador do Benfica, protagonizou o momento mais comentado da Champions League esta semana — e fê-lo com a camisola tapando a boca. Como quem não quer ser lido nos lábios. Toda a gente reparou na mesma.

Vinicius Jr. marcou, celebrou (muito), e Prestianni foi ter com ele dizer… alguma coisa. O que disse? Isso ainda ninguém sabe.

Segundo Vinicius, foi "macaco". Segundo Mbappé, que estava longe mas ouviu tudo na mesma, também foi "macaco". Segundo outros, também foi ofensiva.

Mas não pode ter sido uma palavra homofónica? O que toda a gente concorda é que não foi um elogio ou um convite para jogar matraquilhos. Mas elogios entre brasileiros e argentinos, no futebol… só na missa...e do 7 dia. Mas isto são lá coisas deles

Os comentadores portugueses, quase todos, com a velocidade habitual, já o condenaram.

O único problema é que, até hoje, ninguém sabe ao certo o que ele disse. Mas as opiniões são firmes, condenatórias, e chegaram antes dos factos.

O estranho, nisto tudo, é que ninguém defende as mães dos árbitros. Ninguém condena as cenas das claques, das direcções, dos próprios jogadores. Coloquem o mesmo vigor na defesa do futebol — esse sim, maltratado todos os fins de semana.

Um clássico.

Faz alguns anos ia acompanhar os miúdos que eu treinava. Era rugby. Também haviam pais por lá. Uns eram maçadores…queriam que os filhos jogassem mais. Enfim, opções…que tinham a ver com opções dos treinos  da semana . Quase pareço o Mister Mourinho.

Na minha ida para o campo do rugby passava, algumas vezes, pelo campo da bola dos miúdos. Mais pais, sem dúvida. Talvez não tantos miúdos. Muito mais barulho, sem dúvida.  Barulho que eu gostava que os meus filhos, se os tivesse, não ouvissem.

João N. Marques / Sócio do Sporting N.º 1.301-0



terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quando uma lufada se torna uma bufada azul

 

Toalhas de rosto Sporting 



Quando uma lufada se torna uma bufada azul

 

O FC Porto sob a liderança de André Villas-Boas, que prometia ser uma "lufada de ar fresco", parece ter-se revelado, na verdade, uma "bufada azul e branca" de boas e respeitosas práticas


A nova estrutura parece ter investido num curso intensivo de design de interiores e gestão de inventário: primeiro, ao decorar o balneário de visitantes com capas de jornais sobre derrotas do Sporting e as muitas vitórias do seu clube. Uma verdadeira lição de  "hospitalidade" à moda do FC Porto…bem diferente do que é à moda do Porto.

A criatividade estendeu-se ao relvado com o surgimento de um "serviço de limpeza" inesperado. Os apanha-bolas do clube, em plena "missão" dada pela estrutura, decidiram roubar as toalhas de Rui Silva e as bolas e os respectivos cones. A táctica do macaco queque da Avenida da Boavista passou por esconder as bolas do jogo , poupando-os do sue trabalho, jogar à bola.

Parece que a hospitalidade também passou pelo novo sistema de aquecimento dos balneários.

Na véspera, a emoção era tanta para receber a equipa do Sporting, que fizeram fogo de artifício.

Mas o jogo táctico do Porto de Vilas Boas não começou aqui. Já em Novembro tivemos o caso da televisão.  A cabine do árbitro Fábio Veríssimo passava em repeat imagens do  golo anulado ao FC Porto e de outras eventuais  más decisões do árbitro (e o comando tinha desaparecido)

Entretanto, o queque da Boavista, o  Andrezito entretém-se a diagnosticar como terroristas desportivos todos aqueles que na comunicação social que não usam "óculos azuis" –  acrescento  que o clube vai colecionando multas  por comportamentos reincidentes de lesão da honra contra a arbitragem.

O Porto de Villas-Boas mostra que, embora as caras mudem, o "combustível" para a polémica, jogo sujo e antijogo continua a ser o prato principal da casa.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Solidariedade a Metro


 


Solidariedade a Metro

Enquanto a água ainda escorre pelas paredes e a lama cobre o que restou, há quem já tenha a calculadora na mão.

Vizinhos de uma vida inteira transformam-se em prestadores de serviços premium. "Ajudar-te a limpar a cave? São 50 euros a hora, mais IVA." A bomba de água que estava encostada na garagem de repente tem tarifa de emergência. A carrinha que emprestavam por um favor agora cobra por quilómetro.

E depois há os outros — os verdadeiros artistas da oportunidade. Enquanto fingem solidariedade, medem com o olho o que a enchente arrastou mas ainda tem valor. Misturam-se com os bombeiros, passando-se por eles, e roubam. Roubam eletrodomésticos, móveis recuperáveis, aquelas ferramentas que ficaram no alpendre. Tudo desaparece antes do dono ter tempo de secar as mãos e fazer contas ao prejuízo.

A tempestade Christine passou. Mas há parasitas que ficam — não para estender a mão, mas para a enfiar no bolso alheio.

Há desgraças que revelam o melhor das pessoas. E há pessoas que transformam qualquer desgraça no seu melhor negócio.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

A tragédia como palco

A tragédia como palco - JPM Consultores  
 

A tragédia como palco

Para muitos políticos, uma tragédia não é uma urgência humana — é uma janela mediática. Chegam de colete, mangas arregaçadas, ar compungido, rodeados de câmaras. Não vão resolver nada. Vão construir narrativa. A miséria transforma-se em cenário; as vítimas, em figurantes.

Há uma diferença clara — e moralmente inegociável — entre ajudar e explorar.

Ajudar de verdade é:

  • fazer doações anónimas,

  • praticar voluntariado discreto,

  • apoiar causas sem esperar holofotes,

  • contribuir de forma consistente, não apenas quando há câmaras.


Usar a desgraça alheia é:

  • aparecer em tragédias com fotógrafos atrás,

  • anunciar doações nas redes sociais como troféus,

  • transformar sofrimento humano em marketing político ou pessoal,

  • só agir quando há visibilidade.

O problema não é a visibilidade em si. Em alguns casos, divulgar pode mobilizar mais ajuda.

O problema começa quando:

  • a motivação principal é a autopromoção;

  • o valor da publicidade supera largamente o valor da ajuda;

  • a “ajuda” é superficial, simbólica ou encenada;

  • o sofrimento alheio é instrumentalizado.


Quando isto acontece, deixa de ser solidariedade. Passa a ser cinismo.

Há um critério simples que nunca falha: quem ajuda apenas quando está a ser visto, não está a ajudar — está a representar.

O carácter, na política como na vida, revela-se sempre no mesmo sítio: no que se faz quando ninguém está a olhar.


Lamentável e baixa a atitude de André Ventura

domingo, 25 de janeiro de 2026

Custo de Oportunidade e o Efeito Camaleão – As eleições presidenciais

Eu vou votar - JPM Consultores 

 

Custo de Oportunidade e o Efeito Camaleão – As eleições presidenciais

 

“Mais uma vitória como esta e estaremos completamente arruinados.” Rei Pirro do Épiro

 

Tenho a sorte de viver alguma parte do ano numa terra conhecida pela sua reserva de camaleões.

Estes são conhecidos por irem mudando a cor da pele para se protegerem. Este fenómeno é conhecido por cromatoforismo. Animais como o já referido camaleão, os polvos, as lulas e outros peixes mudam de cor graças a células especiais chamadas cromatóforos.

Esta mudança de cor prende-se com o sentido e sentimento de perigo.

É o que esta segunda volta nos traz. Leva-nos a ter de mudar de cor. Esta mudança de cor não é sentida, não é permanente, vai até contra o que consideramos os nossos valores.

Mas o sentido de sobrevivência leva-nos a isso.

Em Portugal, nesta segunda volta das presidenciais, estamos a viver isso. O voto útil.

Eu olho para o boletim, que já conheço, e digo: não és bem o que eu queria… mas também não és o que mais eu temo.


O Bacalhau à Brás da Democracia

É uma espécie de flirt político de ocasião. No fundo é uma escolha do momento — quase como pedir bacalhau à Brás só porque o restaurante já não tem o nosso prato preferido.

Não era o plano inicial, mas evita uma má experiência.

E assim, entre convicções e cálculos rápidos dignos de um matemático em stress, o voto no Seguro lá acontece.

Sempre com aquele suspiro de quem sabe que podia ter sido diferente, melhor… mas hoje não vai ser.

 


Won't Get Fooled Again – The Who, Uma grande banda de rock.

A música fala de uma vitória vazia. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Are you nuts ou em que NUTS2 está a tua empresa

PT2030 - NUTS // JPM Consultores
 




Are you nuts ou em que NUTS2 está a tua empresa

 

Os acrónimos facilitam a vida a todos. Há vários:

 

AIDA - não a de Verdi, mas a sequência de despertar ATENÇÃO, mostrar INTERESSE, provocar DESEJO e levar à ACÇÃO. Esta mecânica, com mais net ou menos, mais digital ou sem este ambiente, FUNCIONA.

KISS, Keep It Simple , (a vírgula é opcional) Stupid, é um comportamento / atitude que devemos levar na vida.

NUTS -  é a sigla de Nomenclature of Territorial Units for Statistics. É um sistema da União Europeia para dividir o território em regiões, usado para estatística, planeamento e distribuição de fundos. Não é teórico: tem impacto directo em dinheiro e políticas públicas.

JPM – Juntos Podemos Mais

 

Já o NUTS deixa muita gente nuts; nem todos sabem o que é.  Aqui vai um copy past da wikipédia.:

 

"O Decreto-Lei n.º 46/89[1] definiu os três níveis da Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS) para as unidades territoriais portuguesas:

NUTS 1 - constituído por três unidades, correspondentes ao território do continente e de cada uma das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira;

NUTS II – regiões-chave para fundos europeus
Em Portugal: Norte, Centro, Lisboa, Alentejo, Algarve, Açores, Madeira

NUTS 3 - constituído por 25 unidades, das quais 23 no continente e 2 correspondentes às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira."

 

  • NUTS III – sub-regiões operacionais

Norte

  • Alto Minho
  • Cávado
  • Ave
  • Área Metropolitana do Porto
  • Alto Tâmega e Barroso
  • Tâmega e Sousa
  • Douro
  • Terras de Trás-os-Montes

 

Centro

  • Região de Aveiro
  • Região de Coimbra
  • Região de Leiria
  • Viseu Dão Lafões
  • Beira Baixa
  • Beiras e Serra da Estrela

 

Oeste e Vale do Tejo

  • Oeste
  • Médio Tejo
  • Lezíria do Tejo

 

Grande Lisboa

  • Grande Lisboa

 

Península de Setúbal

  • Península de Setúbal

 

Alentejo

  • Alentejo Litoral
  • Alto Alentejo
  • Alentejo Central
  • Baixo Alentejo

Algarve

  • Algarve

Regiões Autónomas

  • Região Autónoma dos Açores
  • Região Autónoma da Madeira

 

Porque isto interessa

  • Fundos europeus (PT2030, PRR, FEDER) usam NUTS II e III como base.
  • Um projecto pode ser financiável numa NUTS e não noutra.
  • Limiares de PIB per capita, apoios à internacionalização, incentivos fiscais: tudo passa por aqui.

 

Agora que já sabe o que são as NUTS, não fique nuts.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

A Inteligência artificial e as crianças / alunos


A inteligência artificial chegou. É para ficar.

Agora é a hora do ensino preparar os jovens e os professores para esta nova realidade. É preparar o futuro e ir ajustando-o.

Não se trata de resistir ou ignorar (que não se consegue) , mas de repensar o que significa realmente educar na era da IA.

O foco, cada vez mais, deve deslocar-se da memorização pura para competências que a IA não substitui facilmente.

Falo de pensamento crítico. Este é essencial - os alunos (e tantos de nós, os mais crescidos) precisam questionar a informação e avaliar as fontes.

Como a IA gera respostas instantâneas, o valor está em fazer as perguntas certas e avaliar criticamente as respostas.

A criatividade e a originalidade ganham novo peso. Enquanto a IA pode combinar padrões existentes, os jovens devem aprender a pensar de forma verdadeiramente inovadora, a conectar ideias de domínios diferentes, a imaginar soluções que ainda não existem.

Projectos interdisciplinares, resolução de problemas reais da comunidade, arte e expressão pessoal tornam-se ainda mais importantes.