quinta-feira, 4 de junho de 2026

Carlos Morisson

 

Carlos Morisson


O Carlos foi. Não avisou. Ele era assim.


Era miúdo quando o conheci. Eu estava a começar a entrar no mundo dos grandes e o Carlos era daquelas pessoas que entram na tua vida sem pedir licença. Nós, os mais novos, ficávamos contentes. Ganhávamos o passaporte para o que a vida nos ia dar.

Crescemos nos Olivais. Quem é de lá sabe do que falo. Aquele bairro onde tudo acontecia sem estar marcado, onde as pessoas se cruzavam por acaso e cresciam juntas, apenas porque era bom viver. Uma energia própria, difícil de explicar a quem não viveu lá.
Foi assim que o Carlos apareceu. Como as melhores coisas que os Olivais me deram, de forma inesperada. Agora diz-se orgânica (quero parecer moderno).

Havia nele uma energia que não tinha idade. Nem a dele, nem a minha, nem a de quem estava à volta. Quando estávamos juntos, o tempo não passava , porque havia sempre algo a fazer, a celebrar. E essa é, afinal, a melhor definição de boa companhia.

Gerações diferentes, quase dez anos. Mas isso nunca se sentiu. Sentia-se era a gargalhada, o disparate, aquela conversa que começava em qualquer lado e nunca tinha hora para acabar. Só não concordávamos no FCP, coisa menor.

"Old man, look at my life / I'm a lot like you were."

Não é saudade de quem se foi. É gratidão por ter cruzado o caminho contigo

Obrigado, Carlos.

Old Man, Niel Youg
https://www.youtube.com/watch?v=OuVIJlSDOs0&list=RDOuVIJlSDOs0&start_radio=1