Durante anos, o trabalhador sénior, o que eu já sou, tinha um superpoder: sabia coisas e, em muitos casos, aplicava-as.
Não porque fosse especialmente brilhante, mas porque já tinha cometido (quase – há sempre espaço para mais ) todos os erros possíveis e sobrevivido para contar ou reformular a história.
Chegou a IA e, de repente, um qualquer estagiário com um bom prompt consegue parecer que sabe o mesmo — sem ter sofrido nada.
Democratizou-se o conhecimento, mas não a cicatriz. O problema é que agora toda a gente acha que está pronta para tudo, quando na verdade a maioria está apenas bem assistida. É a diferença entre ter um carro autónomo e saber conduzir.
No fundo, a IA não colocou todos na casa de partida — deslocou a linha de partida.
Há por aí muitos que pensam que ganharam a corrida quando ainda estão a tentar apertar os atacadores.
Para mim é, sem dúvida, um meio de ficar activo.


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