terça-feira, 3 de março de 2009

Já sorriu hoje???

Já sorriu hoje? Eu já! (se necessário,  dê-lhe um nome)



A distância mais curta entre dois desconhecidos é uma gargalhada. (anónimo)

Keywords: Gestão, socialização

Não quero confundir humor com sorriso. Mas ambos andam ligados… e quase se pode dizer que são siameses.
Vejamos esta pequena sequência do nosso dia-a-dia. Há dias em que tudo parece correr contra nós. Há dias assim! Vejam se não se revêem neste drama dos tempos modernos. E começo logo ao acordar pela manhã.

A porra do despertador não tocou. Ando feito uma barata tonta porque não encontro o telemóvel. O velho truque de ligar pelo fixo para o móvel não resulta…este está sem bateria? Ficou no carro? Aposto no carro. O elevador parece que nunca mais chega ao meu piso. Resolvo descer a pé, lá desde o 10º andar e já chego suado e cansado. Os carros mal estacionados na rua, que não tem saída, dificultam-me apanhar a avenida. E não é que agora entrou a “camineta” do colégio na rua… já me atrasei 20 minutos com esta brincadeira e nem sequer consegui fazer 100 metros de carro. Já vou apanhar mais trânsito e quando chegar ao emprego vou levar com o meu chefe que sempre anda entre o mal humorado e o sem paciência (e eu já vou sem ela) e ainda nem me sentei na cadeira. Mais, deixo de ter lugar e vou ter que pagar o estacionamento. Durante o trajecto ainda tenho que gramar com aqueles condutores que abrandam para ver o acidente que ocorreu no sentido contrário. Ahhhhhhhhhhh!!!!!!!! Que raivaaaaaaaaaa!!!!!!!!

Revêem-se? Eu, um pouco!

Mas vamos lá. Isto não tem que ser assim. Não dever ser assim. Não pode ser assim.

Há vários estudos e leituras esparsas na NET que nos dizem o quão importante é o bom
humor.

Eu por mim apresento-me já um pouco…não me consigo ter bem humurado todos os dias, todas as horas… e tenho um tipo de humor, eu acho, que vai muito ao encontro dos Monty Python (http://pythonline.com/) e o All in the Family (http://en.wikipedia.org/wiki/All_in_the_Family) . Pelo menos é o que eu aprecio…o que não me faz necessariamente um representante deles e um humorista popular.
Mas também não é de mim que pretendo falar…

Falo do humor que nós levamos para o trabalho e que nos torna mais produtivos, mais assertivos, melhores empregados, bons colaboradores e chefes excepcionais… ou seja lá o que for… e, como tudo, também temos que voltar a casa de bom humor. Porque os que lá habitam merecem isso.

Este problema de mau humor torna-se mais difícil de lidar em Organizações com poucos níveis hierárquicos…o mal-humorado pode tornar-se o caos para estes grupos. Aqui todos convivem com todos, todos têm acesso a todos.

Há informações na WWW que dizem que o bom ou mau humor que conseguimos obter até chegar ao trabalho tem um efeito mais forte do que as variações de ânimo que vamos tendo ao longo do dia (Nancy Rothbard). Assim, e passe a redundância, tudo começa no início do dia. Isto é, temos mais chances de ter um dia animado quando saímos de casa animados ou bem-dispostos (e todos os subterfúgios são possíveis e passíveis).
Há casos em que a valentia ou “machismo” assexuado (digo de homens e mulheres) apenas pode ser praticado no local de emprego. Falo daqueles (e aquelas) que sendo ou não chefias reclamam de tudo, a toda a hora e dizem mal de todos. Muitas vezes, porque algo lhe corre mal durante o período doméstico e o local de trabalho é o único em que conseguem extravasar…entenda-se criar mau ambiente para todos.
Pretendo agora resumir algumas consequências ou sintomas que este mau humor traz consigo:
1. Trabalhar de mau humor prejudica a produtividade individual e isso tem consequências para a Organização. Pode até provocar, para além do seu absentismo, o dos outros.
2. Quem vive em mau humor permanente contamina o ambiente laboral.
3. Há também aqueles que responsabilizam e projectam tudo o que de mal passam ou pensam passar num único indivíduo ou organização.
4. No trabalho, o estabelecer relações de amizade e empatia, ameniza os problemas que a convivência sempre gera. Os problemas do mau humor podem ser de tal ordem que até a sua progressão na carreira ou mesmo a sua empregabilidade na Organização pode ficar em perigo.
5. Antes de dizer “Não”, Não consigo”, “Não posso”… tente pensar mais um tempo na pergunta e na resposta que vai dar. Não é sempre uma resposta fácil de dar (e não muito agradável de ouvir).
6. Pode provocar perda de libido, alterar os seus hábitos de higiene, de alimentação e sono. Pode fazer de nós uns “bichos”.
7. Pode entrar em uma espiral de pessimismo ou de ansiedade. Igualmente pode também desenvolver sintomas psicossomáticos.
8. Não é por trazer consigo e manifestar visivelmente o seu mau humor que o problema se resolve. Muito pelo contrário, tem tendência em agudizar-se. Já o inverso parece funcionar: o bom humor atrai o bom humor. Lembre-se.

Todavia não se pretende criar “graça” e humor a quem não tem estas características. Mas, como tudo, há atributos que podem ser trabalhados, melhorados; a e simpatia e gentileza, sobretudo esta,são mais fáceis de atingir.

Todos sabemos que é muito difícil mudar comportamentos, atitudes e valores. Mas tudo pode ser trabalhado, melhorado.

Mas também há que ter cuidado com o excesso de bom humor no trabalho ou humor despropositado ou inadequado. E este comportamento é muito fácil de ser observado. É necessário então:
1. Analisar o nível de intimidade que se tem com o interlocutor. Esta não é função apenas do tempo em que conhecemos a outra parte. Depende de afinidades e do tipo de convívio que formos tendo e conseguindo.
2. Não conte piadas racistas, de opções sexuais, de religião, de diferenças culturais. A maior parte das vezes não conhecemos completamente a outra parte do nosso interlocutor.
3. Nem todos os momentos são ideais para uma graça. Certifique-se que é o apropriado. Em caso de dúvida, cale-se.
4. Tente evitar contar piadas pelo telefone. Poderá ter dificuldade em ter e entender o feedback. Também pode mostrar alguma falta de educação.
5. Tenha cuidado com os e-mails (mensagens, assuntos e apresentação) e com os forwards.
6. Nem todos nós sabemos ser engraçados e agradarmos a todos os públicos e a toda a hora. Se acha que não é o seu público ou que não está nos seus dias…talvez seja melhor estar mais calados e esperar o momento para colocar em prática a sua gentileza e mostrar o seu sorriso franco que não tem hora.

“A ideia de que o humor é um agente aglutinador (desde que não resvale para a chacota) e propiciador de um ambiente organizacional parece geralmente consensual e bem aceite. O humor é considerado um lubrificante que permite que as pessoas interajam e se acertem melhor nas suas tarefas, muitas vezes conflituosas.”, explica Marbino Resende.

Se o Tempo não pára, não pare você também.
João Paulo Marques
http://www.linkedin.com/in/joaopmarques
@joaodavespa

sábado, 28 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Salomão - O elefante diplomata

O Cão e o Elefante Salomão

A diplomacia portuguesa aprontou mais um golpe de génio.

Entrámos pela Casa Branca... quase de gatas ou mesmo de gatas.... vai haver um português residente... sem necessitar de visto ou outras burocracias. VAMOS TER UM CÃO. Um cão de água. Nada mau... Infelizmente os nossos políticos nada conseguirão aprender com aquele cão... e a culpa não será do canídeo

Esta manobra estratégica, já usada na diplomacia portuguesa, fez-me lembrar um livro que recentemente li cujo nome é: Salomão, o elefante diplomata.

Mostra como João III conseguiu ter um golpe de génio e passar a perna a todos os estadistas europeus seus contemporâneos.

Aqui vai o nome da obra:
SALOMÃO
O Elefante Diplomata
A história da última jóia do Império.


Leiam... vai valer a pena.

Dos Autores de
Portugal − O Pioneiro da Globalização e
1509 − A Batalha que Mudou o Domínio do Comércio Global

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CONTE COM OS MAIS EXPERIÊNTES

CONTRATAR EMPREGADOS MAIS VELHOS É UM MOVIMENTO ESTRATÉGICO IMPORTANTE
Faça da sua Organização uma Tribo (Seth Godin in “Tribos”)

Este texto, eu acho, não se ajusta ainda para mim. Talvez pretenda ser uma antecipação do meu futuro… a ver vamos.
Pretendo, com o mesmo, desmistificar um pouco o problema da idade no recrutamento de quadros e colaboradores de hierarquias mais baixas. Claro que, como tudo, há excepções, há situações, há pessoas… que em tudo são diferentes.
Lembro-me, num passado distante, em umas acções de formação em que fui monitor do jurássico Lotus 123 de ter uma plateia composta de várias idades, sobretudo imbuída de diversos, distintos e antagónicos interesses. Tinha alunos que pouco passavam dos 18… até a senhores que rondavam os 60´s. O acesso aos computadores na altura era muito difícil…poucos haviam e portáteis só nos filmes do James Bond. O caso mais extremo de interesse era de um senhor que reproduzia as folhas de cálculo num caderno de folhas quadriculadas… também o caso mais difícil era de outro, mais ou menos da mesma idade, que usava a velha máxima de burro velho não aprende línguas. Não lhe dei razão.
Pretendo então passar-vos 12 razões (para 12 meses) porque devemos contratar e contar com colaboradores mais velhos, mais experientes e, provavelmente, mais sábios.

1 – Pontualidade. Começo por esta. Infelizmente é algo que não consegue ser enraizado na nossa cultura e valores. Acredito que a tendência seja para piorar…pelo menos é o que eu percebo pelo dia a dia, o que se traduz numa falta de respeito pelo trabalho dos outros.
Já as estatísticas e alguns textos (e informação da internet) dizem que os trabalhadores mais velhos são mais pontuais … porque, entre outras razões, gostam e dão valor ao trabalho. Igualmente as suas faltas justificadas ou injustificadas tendem a ser menores.
Tive uma passagem, por dois anos, a ajudar a treinar equipas de rugby. Para além de todos os ensinamentos técnicos que transmitíamos fazíamos por passar às crianças a importância de serem pontuais.

2 – Honestidade. É corrente entre os colaboradores mais experientes haver um espírito de lealdade, entrega e de procura em ajudar o grupo. Ao contrário, profissionais mais novos, em regra, não têm esta dedicação ao grupo.

3 – Foco, atenção e detalhe. Os mais experientes são, em regra, mais atentos, mais concentrados em determinados aspectos e conhecedores (e reconhecedores) de informações correctas e incorrectas. Lembro-me de um colega, bem mais velho, o Sr. Marques (nada a ver com a família) que, em virtude de ter sido polícia de trânsito, organizava as rotas de entrega dos materiais… ele sabia onde ficavam as ruas e como chegar lá… bem como lembrava-se dos códigos postais e dos nomes. Todas estas associações, que só ele sabia fazer, facilitava em muito a organização desta tarefa logística.

4 – Maturidade. Esta é um atributo que só se atinge com a idade e com a experiência. O colaborador mais inexperiente poderá ter dificuldade em resolver certas situações em que a experiência / maturidade seja essencial. Lembro-me de muitas perguntas que me fazem (e que fazem a alguns dos meus colegas mais experientes) …e, para as quais, já tenho (e já têm) as respostas preparadas. É uma resposta de cartilha… mas funciona.

5 – Exemplo a seguir. Um trabalhador mais experiente é uma mais-valia inquestionável para a Empresa. Ele pode encarnar a Cultura da Organização. Ser a referência da mesma. Ser aquele que transmite os valores da Organização aos que chegam . Há exemplos claros nas organizações desportivas em que antigos jogadores continuam ligados aos clubes… sendo os embaixadores do mesmo.
Acredito que a existência de uma figura com este perfil no seio das organizações seja um elemento provocador de tranquilidade e segurança para todos. Os que chegam e para os que por lá já andam.

6 – Custos com a contratação. Muitas vezes estes trabalhadores estão dispostos a trabalhar por um salário mais baixo. Eles não procuram apenas compensações monetárias…muitas vezes estão em busca de desafios profissionais e assim aceitam salários mais baixos. Também os custos referentes a seguros de saúde ou outros não são necessários porque já os têm. Igualmente conseguem mais rapidamente entrar na engrenagem de trabalho da organização. Muitas vezes a partir de uma determinada idade, estes colaboradores tendem a se fixar numa Empresa. Atingem, quase se poderá dizer, satisfação no que fazem.
Estes profissionais (menos novos) muitas vezes pretendem apenas trabalhar uma parte do dia ou alguns dias por semana… o que se pode tornar uma vantagem importante para a sua contratação. Imagine alguém que só pretende trabalhar aos fins- de- semana porque durante os outros dias tem os netos para cuidar.

7 – Bons ouvintes. A sua experiência permite que saibam ouvir. Por este facto as acções de formação são muito mais conseguidas. O seu background… ajuda também. Podem e costumam ser um elemento enriquecedor das acções de formação. Existe um falso preconceito de que um trabalhador menos novo tem menos capacidade de aprender. Porventura será verdade, mas existem estudos que dizem que a capacidade de aprendizagem é menos afectada pela idade do que outras performances físicas, como vigor físico ou atenção. Demonstram sim um enorme empenho em aprender e em passar conhecimento.

8 – Capacidades (e senso de oportunidade) de comunicação – Por serem profissionais mais experientes entendem as politiquices da Empresa… e sabem, por isso, usar a diplomacia no seu relacionamento com os superiores, pares e subordinados.

9 - Dedicação / Qualidade no trabalho. Pelo facto de terem mais experiência, de possuírem mais argumentos para responderem a problemas rotineiros, costumam produzir um trabalho de qualidade superior. Também o seu olho treinado permite descobrir e/ou solucionar erros de processo , de identificação de produtos, de pricing, entre outros.
Fazer mal feito quase sempre demora mais tempo e é mais dispendioso do que fazer bem feito. E isto, os mais experientes sabem bem da sua importância.

10 – Orgulho.
Têm orgulho em fazer o que fazem… nos resultados que apresentam…de serem válidos para a Organização. Muitas vezes não se importam de prolongar o seu horário de modo a acabar o que tem que ser finalizado.
Há trabalhos que não podem ser retomados ou que a sua interrupção poderá ser extremamente difícil e com custos elevados. Na indústria em que tenho desenvolvido a minha actividade (sector gráfico) a interrupção de um trabalho pode fazer com que o mesmo seja completamente inutilizado.

11 - Organização, método e rotina no trabalho. Sabem o que fazer, como fazer e que atitudes tomar quando algo não corre como o estabelecido. Em muitas organizações quando algo ocorre fora do planeado, do previsto, este facto pode tornar-se um problema sério…….um colaborador com experiência sabe e não tem medo, em princípio, de tomar uma decisão. Senão a correcta… pelo menos uma que minore a turbulência.
Muitas vezes a não decisão é pior do que decidir erradamente.

12. Confiança. São consultados e as suas opiniões são levadas em linha de conta. Não se importam de partilhar a sua experiência com os mais novos. Sentem prazer nisso.

Ao andar a vaguear pela WWW apanhei os seguintes dados:
- Trabalhadores com idade superior a 65 anos faltam, em média, 4,2 dias. Já os de idade compreendida entre 46 e 64 o fazem por 5,7 dias (média/ ano).
- Trabalhadores com mais de 55 anos são responsáveis por menos de 10% dos acidentes de trabalho (sendo estes mais de 14% da população activa). No entanto, a sua recuperação destes acidentes tende a ser por um prazo superior.
- Outros dados dizem-nos que 14% de trabalhadores mais velhos preferem continuar a trabalhar a tempo inteiro; 10% preferem continuar a trabalhar, mas com alguma flexibilidade de horários; 17% pretendem novas funções ou um novo desafio profissional. Sobretudo este último dado demonstra que eles querem que contemos com eles.
- Também há dados que nos transmitem que trabalhadores que se reformam mais cedo ou quando se aposentam na altura prevista pela lei inscrevem-se em cursos da mais variada índole ou inscrevem-se na Universidade para continuarem a sua formação. Muitas vezes em áreas de saber completamente distintas daquelas em que sempre exerceram a sua actividade. Eu espero a vir a fazer parte deste grupo.
- Finalmente, muitos profissionais preferem fazer longas jornadas diárias do que optar por tempos parciais.
O que pretendo a partir deste texto é, de alguma maneira, reforçar a qualidade que os mais experientes, mesmo em final de carreira profissional, podem trazer às Organizações e, sobretudo, a quem está no início da sua actividade.
Há, em algumas Empresas, um défice de senioridade que se traduz por inconsistência nas respostas, na incapacidade de resolução de alguns tipos de problemas, na falta de cultura empresarial, etc.
O melhor dos mundos, para grande parte das Organizações, será uma mescla de senioridade transmitida pelos mais experientes e uma dose de irreverência conseguida através dos mais novos.
Pretendo dedicar este texto ao Sr. Dr. Mateus Moreira, meu director no BPSM / DGES , que sempre me ajudou e ensinou. A mim e a todos os elementos da DGES. Sabia, muito bem, separar horário de trabalho e tempo de lazer.

Se o Tempo não pára, não pare você também.
João Paulo Marques