Mostrar mensagens com a etiqueta CHEGA. André Ventura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CHEGA. André Ventura. Mostrar todas as mensagens

domingo, 1 de fevereiro de 2026

A tragédia como palco

A tragédia como palco - JPM Consultores  
 

A tragédia como palco

Para muitos políticos, uma tragédia não é uma urgência humana — é uma janela mediática. Chegam de colete, mangas arregaçadas, ar compungido, rodeados de câmaras. Não vão resolver nada. Vão construir narrativa. A miséria transforma-se em cenário; as vítimas, em figurantes.

Há uma diferença clara — e moralmente inegociável — entre ajudar e explorar.

Ajudar de verdade é:

  • fazer doações anónimas,

  • praticar voluntariado discreto,

  • apoiar causas sem esperar holofotes,

  • contribuir de forma consistente, não apenas quando há câmaras.


Usar a desgraça alheia é:

  • aparecer em tragédias com fotógrafos atrás,

  • anunciar doações nas redes sociais como troféus,

  • transformar sofrimento humano em marketing político ou pessoal,

  • só agir quando há visibilidade.

O problema não é a visibilidade em si. Em alguns casos, divulgar pode mobilizar mais ajuda.

O problema começa quando:

  • a motivação principal é a autopromoção;

  • o valor da publicidade supera largamente o valor da ajuda;

  • a “ajuda” é superficial, simbólica ou encenada;

  • o sofrimento alheio é instrumentalizado.


Quando isto acontece, deixa de ser solidariedade. Passa a ser cinismo.

Há um critério simples que nunca falha: quem ajuda apenas quando está a ser visto, não está a ajudar — está a representar.

O carácter, na política como na vida, revela-se sempre no mesmo sítio: no que se faz quando ninguém está a olhar.


Lamentável e baixa a atitude de André Ventura