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A tragédia como palco
Para muitos políticos, uma tragédia não é uma urgência humana — é uma janela mediática. Chegam de colete, mangas arregaçadas, ar compungido, rodeados de câmaras. Não vão resolver nada. Vão construir narrativa. A miséria transforma-se em cenário; as vítimas, em figurantes.
Há uma diferença clara — e moralmente inegociável — entre ajudar e explorar.
Ajudar de verdade é:
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fazer doações anónimas,
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praticar voluntariado discreto,
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apoiar causas sem esperar holofotes,
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contribuir de forma consistente, não apenas quando há câmaras.
Usar a desgraça alheia é:
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aparecer em tragédias com fotógrafos atrás,
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anunciar doações nas redes sociais como troféus,
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transformar sofrimento humano em marketing político ou pessoal,
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só agir quando há visibilidade.
O problema não é a visibilidade em si. Em alguns casos, divulgar pode mobilizar mais ajuda.
O problema começa quando:
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a motivação principal é a autopromoção;
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o valor da publicidade supera largamente o valor da ajuda;
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a “ajuda” é superficial, simbólica ou encenada;
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o sofrimento alheio é instrumentalizado.
Quando isto acontece, deixa de ser solidariedade. Passa a ser cinismo.
Há um critério simples que nunca falha: quem ajuda apenas quando está a ser visto, não está a ajudar — está a representar.
O carácter, na política como na vida, revela-se sempre no mesmo sítio: no que se faz quando ninguém está a olhar.
Lamentável e baixa a atitude de André Ventura
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